O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) passou a ser questionado por especialistas e por integrantes do meio político após declarações e publicações que, na prática, endossam de forma implícita a ideia de uma intervenção estrangeira no Brasil, ainda que ele evite afirmá-la de maneira direta.
Dois dias depois da operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, o parlamentar publicou memes nas redes sociais sugerindo que o Brasil poderia ser o “próximo” alvo. Em uma das imagens, escreveu “eu tentando avisar o Trump que ele tem mais um para levar”, acompanhada da bandeira brasileira. Em outra, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece no lugar de Maduro sendo conduzido por forças estrangeiras.
Questionado por jornalistas em Belo Horizonte, após a entrega de emendas parlamentares à Santa Casa, Nikolas tentou relativizar o conteúdo das postagens, mas não recuou da ideia central. “Não estou dizendo que desejo que capturem o presidente do Brasil. O que eu estou dizendo é que os criminosos precisam pagar pelos seus crimes”, afirmou.
Na sequência, ao ser confrontado sobre como esses crimes deveriam ser punidos, se pela Justiça brasileira ou por mecanismos externos, o deputado não descartou a segunda hipótese. “Pode ser por uma intervenção externa também. Hoje, o direito internacional penal praticamente não existe mais”, disse.
A fala é considerada sensível porque rompe com o princípio constitucional da soberania nacional e relativiza o papel das instituições brasileiras. Embora Nikolas negue defender diretamente uma ação estrangeira contra o país, especialistas avaliam que o discurso normaliza e legitima a possibilidade de uma intervenção internacional, sobretudo ao comparar o Brasil com o caso venezuelano.
O parlamentar também reiterou que suas declarações refletem, segundo ele, um sentimento popular reprimido. “O que eu falo é o que está entalado na garganta de muita gente, só que muita gente não tem coragem de dizer”, afirmou.
