Tribunal acolhe Brasil na ação de Rumble e Trump Media contra Moraes.

Justiça aceita Brasil em ação de Rumble e Trump Media contra Moraes

Por Márcio Falcão, g1 e TV Globo — Brasília


  • A Justiça da Flórida aceitou a participação do Brasil em ação da Trump Media e Rumble contra Alexandre de Moraes nesta terça-feira (23). O julgamento à revelia foi negado.

  • A Advocacia-Geral da União acionou um escritório nos Estados Unidos para intervir no processo. O órgão argumenta que decisões da Suprema Corte brasileira não podem ser revistas por estrangeiros.

  • As empresas tentam reverter na Justiça norte-americana ordens de bloqueio emitidas por Moraes. Elas alegam que as determinações configuram censura e violam garantias constitucionais dos Estados Unidos.

  • O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, solicitou a atuação do órgão no início deste mês. Ele defendeu que o caso envolve a soberania do país.

Justiça da Flórida aceita Brasil em ação de Rumble e Trump Media contra Moraes

Justiça da Flórida aceita Brasil em ação de Rumble e Trump Media contra Moraes

A Justiça Federal da Flórida acolheu o pedido para que o Brasil participe da ação que o grupo Trump Media e a plataforma Rumble movem nos Estados Unidos contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

A Justiça da Flórida ainda negou o pedido para julgar o processo à revelia, já que o ministro Alexandre de Moraes não se manifestou diretamente no processo.

A Advocacia-Geral da União (AGU) acionou um escritório nos Estados Unidos para solicitar à Justiça americana a intervenção do Estado brasileiro, com o argumento de que decisões judiciais da Suprema Corte do Brasil não podem ser questionadas por tribunais estrangeiros (entenda mais abaixo).

Em decisão desta terça-feira (23), a Justiça aceitou a representação do Brasil, mas deixou para analisar em outro momento o pedido de extinção da ação.

🔎A Advocacia-Geral da União (AGU) é o órgão responsável por representar e defender juridicamente o governo federal e a União. Ela funciona como a “advocacia” do Estado brasileiro.

Julgamento à revelia

🔎O julgamento à revelia acontece quando uma das partes do processo não se manifesta ou não apresenta defesa dentro do prazo. Nesse caso, o juiz pode seguir com a análise e até decidir a ação sem ouvir o lado que ficou em silêncio.

Com a decisão desta terça, a AGU vai poder apresentar esclarecimentos sobre as decisões questionadas. A AGU busca encerrar a ação na Justiça de lá.

“A juíza Mary Scriven acolheu integralmente o pedido de intervenção, reconhecendo o Brasil como real interessado na causa, e determinou a suspensão de qualquer decretação de revelia até a resolução do pedido de extinção do processo, já apresentado pelo Brasil”, escreveu a AGU.

O argumento central é que atos praticados por autoridades de um Estado soberano não podem ser julgados por cortes estrangeiras sem o seu consentimento.

A AGU defende que não cabe aos EUA revisar decisões do STF.

Para a AGU, eventuais questionamentos a decisões do STF devem ser feitos exclusivamente dentro do sistema judicial brasileiro (veja mais a seguir).

Segundo a lei brasileira, ministros do STF não podem ser processados ou responsabilizados pessoalmente por decisões tomadas no exercício de suas funções.

No entanto, as empresas têm buscado reverter determinações do magistrado na Justiça dos Estados Unidos.

Processo nos EUA

As duas companhias recorreram à Justiça norte-americana para tentar barrar a aplicação de ordens de restrição e bloqueio emitidas por Moraes no Brasil, sob o argumento de que elas configuram censura e violam garantias constitucionais dos EUA.

Como a ação foi apresentada apenas contra Moraes, a AGU solicitou o ingresso formal do Estado brasileiro no processo.

Na petição, o governo sustenta que o Brasil é a parte efetivamente interessada no caso, não apenas o ministro, uma vez que a disputa envolve decisões tomadas pelo STF no exercício de suas atribuições constitucionais.

A AGU também pede que a justiça norte-americana não considere que Moraes não se manifestou nem apresentou defesa sobre o caso, considerando o pedido para que o órgão o represente enquanto integrante do Estado brasileiro.

Alexandre de Moraes (à direita); Rumble (à esquerda) e Trump Media já havia pedido sanções ao ministro antes, mas a liminar foi negada — Foto: Antonio Augusto/STF e reprodução

Alexandre de Moraes (à direita); Rumble (à esquerda) e Trump Media já havia pedido sanções ao ministro antes, mas a liminar foi negada — Foto: Antonio Augusto/STF e reprodução

O que diz a AGU

Entre os argumentos apresentados está o de que a análise de decisões judiciais brasileiras por tribunais de outro país violaria o princípio da imunidade de jurisdição, previsto no Direito Internacional e reconhecido pela legislação norte-americana.

De acordo com esse princípio, atos praticados por autoridades de um Estado soberano não podem ser julgados por cortes estrangeiras sem o seu consentimento.

O documento afirma ainda que o Brasil “não consentiu e não consentirá” com a revisão de decisões de sua Suprema Corte por juízes de outros países. Para a AGU, eventuais questionamentos a decisões do STF devem ser feitos exclusivamente dentro do sistema judicial brasileiro.

Pedido de providências

Rumble e Trump Media pediram à Justiça dos EUA julgamento de Moraes à revelia Rumble e Trump Media pedem à Justiça dos EUA julgamento de Moraes à revelia.

Segundo o presidente do STF, o que está em jogo no processo é a independência do Judiciário e a soberania do país.

A medida foi tomada após a Justiça dos Estados Unidos autorizar que Moraes fosse notificado por e-mail sobre a abertura da ação contra ele nos Estados Unidos, permitindo que o processo avançasse.



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