Meloni responde a Trump após os ataques: “Ser sua amiga definitivamente não foi útil”

Meloni critica Trump após ataques: 'Ser sua amiga certamente não ajudou'

Por Redação g1


  • Giorgia Meloni rebateu ataques de Donald Trump neste sábado (20). A primeira-ministra italiana chamou as declarações do presidente norte-americano de “sem sentido” e defendeu a soberania da Itália.

  • Trump afirmou na rede Truth Social que a popularidade de Meloni está baixa. Ele criticou o governo italiano por não permitir o uso de bases militares contra o Irã.

  • Devido ao atrito, o chanceler italiano Antonio Tajani cancelou nesta sexta-feira (19) sua viagem aos Estados Unidos. Ele se reuniria com o secretário de Estado Marco Rubio.

  • O distanciamento entre os líderes começou meses antes. A relação piorou em abril após críticas de Meloni a Trump por declarações sobre o papa Leão XIV.

Entenda a troca de farpas entre Trump e Giorgia Meloni

Entenda a troca de farpas entre Trump e Giorgia Meloni

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, voltou a rebater o que chamou de ataques “sem sentido” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, neste sábado (20).

Depois de negar que tenha implorado para tirar uma foto com Trump durante a cúpula do G7, Meloni respondeu a um post feito horas antes pelo presidente norte-americano, em que ele reafirmava a declaração dada a uma TV italiana e dizia que a popularidade baixa da premiê tinha sido o motivo do pedido.

“Presidente Trump, esses ataques constantes e não provocados são sem sentido. Quanto à minha popularidade, ser sua amiga certamente não ajudou, nem depende da minha relação com você. (…) De qualquer forma, minha popularidade não é da sua conta. Sugiro que você se concentre na sua”, provocou a italiana no Instagram.

➡️ No momento, por causa dos altos custos da guerra contra o Irã e o aumento da inflação no EUA por causa da crise econômica mundial causada pelo conflito, a taxa de aprovação de Trump caiu para apenas 35%, puxada pela queda de apoio entre os eleitores republicanos.

As novas declarações de Trump que irritaram ainda mais Meloni foram feitas na rede Truth Social. Ele afirmou que o “nível de popularidade dela está em baixa na Itália” e reclamou do fato do governo italiano não ter permitido que os EUA usassem as bases militares da Itália em sua guerra contra o Irã.

“A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, pediu várias vezes para tirar uma foto comigo durante a reunião do G7 na França. O nível de popularidade dela está em baixa na Itália, provavelmente porque rejeitou os Estados Unidos, um país que realmente ama e protege a Itália, quando se tratou de impedir o Irã de obter ou desenvolver uma arma nuclear (o mesmo aconteceu com a OTAN). Ela nem sequer nos deixou usar as pistas ou áreas de pouso da Itália, o que gerou um grande inconveniente logístico, e isso apesar de os EUA contribuírem com centenas de bilhões de dólares por ano para proteger a Itália e outros ‘chamados’ aliados da OTAN. Agora, depois que os Estados Unidos derrotaram o Irã militarmente, ela quer voltar a ser amiga para melhorar seus ‘números’. Não, obrigado!!!”, escreveu.

A primeira-ministra também rebateu as críticas do ex-aliado e falou que precisa “defender o interesse nacional da Itália” e que a “Itália continua sendo uma nação soberana”.

As falas de Trump, que Meloni garantiu serem “completamente inventadas”, pioram ainda mais a relação entre os dos políticos, que já estava comprometida. Nesta sexta-feira (19), o chanceler da Itália, Antonio Tajani, anunciou que, por causa do episódio, cancelou uma viagem que faria aos Estados Unidos na semana que vem para se reunir com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

“As palavras graves e ofensivas do presidente Trump em relação à primeira-ministra Giorgia Meloni ofendem toda a Itália”, condenou o ministro na rede social X.

Giovanbattista Fazzolari, subsecretário do gabinete da premiê italiana e um de seus aliados políticos mais próximos, também se pronunciou em um comunicado e criticou a postura de Trump, dizendo que, “com seus rompantes inadequados”, ele conseguiu “tornar os Estados Unidos impopulares em todo o continente europeu, prejudicando não apenas a Europa, mas sobretudo os Estados Unidos”.

Vídeos do evento do G7 na França mostraram Meloni e Trump em uma conversa profunda, sentados lado a lado em um pequeno sofá (veja abaixo). O líder americano sugeriu que apenas quis agradá-la ao conversar com ela.

Donald Trump e Giorgia Meloni conversando em sofá durante a cúpula do G7 — Foto: Ministério da Primeira-Ministra da Itália/Divulgação via Reuters

Donald Trump e Giorgia Meloni conversando em sofá durante a cúpula do G7 — Foto: Ministério da Primeira-Ministra da Itália/Divulgação via Reuters

🔎 O G7 é um grupo das principais economias ricas do mundo que se reúne para discutir temas globais, como economia, guerra, clima e segurança. É um fórum político (não toma decisões obrigatórias, mas tem muita influência).

O que está por trás da troca de farpas entre Trump e Meloni

Em abril, Donald Trump e Giorgia Meloni, antes aliados próximos, passaram a trocar críticas.

Meloni criticou Trump após o presidente norte-americano chamar o papa Leão XIV de “fraco” por condenar a guerra no Irã:

“Considero inaceitáveis as palavras do presidente Trump em relação ao Santo Padre. O papa é o líder da Igreja Católica, e é correto e natural que ele peça paz e condene todas as formas de guerra”.

A resposta veio um dia depois. Em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, Trump disse estar “chocado” com a postura da líder italiana e afirmou acreditar que ela não tinha coragem.

“Ela não é mais a mesma pessoa, e a Itália nunca mais será o mesmo país.”

Apesar do episódio envolvendo Leão XIV, o distanciamento entre Trump e Meloni começou meses antes.

Analistas ouvidos pelo jornal The New York Times avaliam que a premiê aproveitou o momento para sinalizar ao público interno um afastamento do presidente norte-americano, em meio a pesquisas que indicam aumento da impopularidade de ambos entre eleitores italianos.

Donald Trump e Giorgia Meloni falam com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz (de costas), durante um almoço de líderes do G7 e do Oriente Médio — Foto: Evelyn Hockstein/Pool via AP

Donald Trump e Giorgia Meloni falam com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz (de costas), durante um almoço de líderes do G7 e do Oriente Médio — Foto: Evelyn Hockstein/Pool via AP



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