Caso Master: alvo de operação passou celular a amigo e saiu de casa antes da chegada de policiais; PF vê indícios de vazamento
Jocildo Lemos, diretor da Amapá Previdência, foi alvo de ordem de busca e apreensão na semana passada. Ao voltar pra casa, ele entregou aos policiais um celular recém habilitado.
Por Márcio Falcão, Fábio Amato, TV Globo — Brasília
A Polícia Federal reuniu indícios de que investigados podem ter sido alertados antecipadamente sobre uma operação realizada para apurar a destinação de recursos da Amapá Previdência (Amprev) para o Banco Master.
Em relatório encaminhado à Justiça Federal, investigadores afirmaram que o diretor-presidente da Amprev e coordenador do Comitê de Investimentos do instituto, Jocildo Silva Lemos, pode ter tido “ciência antecipada” da ação de busca e apreensão que sofreu na última sexta-feira (6).
Jocildo é apontado pelos investigadores como mentor intelectual e principal articulador das operações no âmbito do Comitê de Investimentos.
De acordo com as investigações, documentos indicam que aportes do fundo de previdência do Amapá no Banco Master foram realizados ignorando riscos e alertas. Os repasses somam cerca de R$ 400 milhões.
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Jocildo afirma que é aliado e foi indicado para o cargo na Amprev pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Alcolumbre não é investigado e não foi alvo da ação.
O g1 tenta contato com o diretor-presidente da Amprev.
Jocildo entregou celular recém habilitado a policias
No relatório, a PF narrou que chegou à casa de Jocildo por volta das 6h da manhã. Segundo os policiais, “a entrada no imóvel” foi liberada pelos moradores, “sem necessidade de arrombamento”.
No entanto, o investigado não estava no local. Apenas familiares acompanharam o cumprimento da busca e apreensão, em conjunto com testemunhas.
Quando chegou ao endereço, a equipe policial foi informada de que Jocildo havia saído momentos antes para “a prática de atividade física”. “Levando consigo seu aparelho telefônico de uso pessoal”, registrou a PF.
Ao retornar para casa, Jocildo tomou conhecimento da operação e entregou voluntariamente à equipe policial um aparelho telefônico, fornecendo a respectiva senha de acesso.
Os investigadores narraram que checaram o aparelho de forma preliminar e notaram que ele havia sido habilitado recentemente. Não foram encontrados, no dispositivo, mensagens, fotografias, registros de chamadas ou qualquer outra evidência concreta de utilização efetiva pelo investigado.
Questionado sobre o celular, Jocildo contou que, na noite anterior, havia repassado seu aparelho, que estava com a tela trincada, a um amigo, Mauro Júnior.
Mauro Júnior também trabalha na Amprev, como procurador jurídico. A PF entrou em contato com ele e determinou a entrega do telefone.
Durante a operação, os policiais decidiram apreender o celular da mulher de Jocildo, após identificarem registros de ligações telefônicas de Mauro Júnior, realizadas às 5h42 da manhã do dia da operação, iniciada minutos depois.
“Tal circunstância, em análise preliminar, sugere a possibilidade de que o investigado tivesse ciência antecipada da operação, o que poderia ter motivado a ocultação ou afastamento de seu aparelho telefônico”, afirmam os policiais.
Jocildo Lemos, diretor-presidente da Amprev — Foto: Jorge Júnior/Rede Amazônica
Jocildo Lemos, diretor-presidente da Amprev — Foto: Jorge Júnior/Rede Amazônica