Por que Deolane foi para Tupi Paulista, e não para Tremembé, o ‘presídio dos famosos’
Advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra, presa na quinta-feira (21) durante a Operação Vérnix, chegou nesta sexta-feira (22) à Penitenciária Feminina de Tupi Paulista.
Por Stephanie Fonseca, Vinicius Pacheco, g1 Presidente Prudente e Região e TV TEM
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Deolane Bezerra, presa na quinta-feira (21) durante a Operação Vérnix, chegou nesta sexta-feira (22) à Penitenciária Feminina de Tupi Paulista.
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Segundo a Polícia Civil, a escolha é atrelada ao processo que motivou a prisão preventiva e que tramita em Presidente Venceslau (SP), comarca onde teve início a investigação.
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A transferência para a região Oeste do estado levantou questionamentos sobre o porquê de Deolane não ter sido levada para Tremembé (SP), unidade para onde costumam ir presas de crimes de grande repercussão.
Deolane Bezerra chega à Penitenciária Feminina de Tupi Paulista
A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra, presa na quinta-feira (21) por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC, foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista nesta sexta (22), após passar a noite na unidade de Santana, na Zona Norte de São Paulo.
A transferência para a Região Oeste do estado levantou questionamentos sobre por que Deolane não foi levada para Tremembé (SP), unidade para onde costumam ir presas envolvidas em crimes de grande repercussão e sem ligação com o crime organizado.
O “Presídio dos Famosos“, como é conhecido Tremembé, fica a cerca de 150 km da capital paulista, e já abrigou detentas como Suzane von Richthofen, condenada pela morte dos pais em 2002; Elize Matsunaga, condenada por matar e esquartejar o marido; e Ana Carolina Jatobá, madrasta de Isabela Nardoni.
Segundo a Polícia Civil, Deolane foi transferida para Tupi porque o processo que motivou a prisão preventiva tramita em Presidente Venceslau (SP), comarca onde tiveram início as investigações.
P1 Feminina em Tremembé — Foto: Laurene Santos/TV Vanguarda
P1 Feminina em Tremembé — Foto: Laurene Santos/TV Vanguarda
Conforme informações da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), o estabelecimento de Tupi Paulista é a única penitenciária feminina da Coordenadoria de Unidades Prisionais da Região Oeste do Estado (Croeste).
O espaço foi construído exclusivamente para atender às particularidades da população feminina, especialmente na área da saúde. A primeira unidade neste modelo no estado foi a de Tremembé II, inaugurada em 11 de abril de 2011.
Deolane Bezerra chega à Penitenciária de Tupi Paulista (SP) — Foto: Reprodução/TV TEM
Deolane Bezerra chega à Penitenciária de Tupi Paulista (SP) — Foto: Reprodução/TV TEM
Além da assistência médica específica para as mulheres, a estrutura inclui pavilhão de trabalho, biblioteca e espaços voltados à educação e à visita íntima. Com foco na ressocialização, o presídio possui uma padaria artesanal e oferece cursos profissionalizantes em parceria com secretarias estaduais e o Poder Judiciário.
Há, ainda, setores destinados à amamentação e creche para o atendimento de gestantes e lactantes — medidas que, segundo a SAP, visam garantir mais dignidade e segurança para as presas e servidores durante o cumprimento da pena.
Deolane Bezerra chega a penitenciária de Tupi Paulista, na região oeste do estado — Foto: Aceituno Jr./TV TEM
Rotina
A unidade está localizada na Rodovia João Ribeiro de Barros (SP-294), no km 667,8, na zona rural do município, no sentido Panorama–Paulicéia. O presídio foi inaugurado em 16 de agosto de 2011, com área construída de 19.142,34 metros quadrados e recebeu investimento de R$ 44 milhões do governo estadual.
A dinâmica do estabelecimento acompanha a de todos os complexos penitenciários, conforme apurado pelo g1. O dia começa às 7h com o café da manhã. O banho de sol ocorre a partir das 8h.
Às 10h, as mulheres voltam para as celas e, às 11h, seguem para o almoço. Há outro banho de sol às 13h. Após cerca de três horas, é servido o jantar e as mulheres retornam aos pavilhões, ficando apenas as responsáveis pela limpeza.
As próprias detentas preparam todas as refeições.
Penitenciária Feminina de Tupi Paulista (SP) — Foto: SAP/Arquivo
Penitenciária Feminina de Tupi Paulista (SP) — Foto: SAP/Arquivo
Operação Vérnix
Segundo investigações do Ministério Público e da Polícia Civil, Deolane atuava como “caixa do crime organizado” na estrutura financeira da facção e foi presa em sua casa, em Barueri, na Grande São Paulo, suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Após a prisão, ela passou a noite na Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte da capital paulista, de onde saiu rumo ao oeste do estado por volta das 5h.
Deolane Bezerra chega à Penitenciária de Tupi Paulista (SP) — Foto: Reprodução/TV TEM
Deolane Bezerra chega à Penitenciária de Tupi Paulista (SP) — Foto: Reprodução/TV TEM
De acordo com as apurações, valores do grupo criminoso eram depositados em contas ligadas à influenciadora e misturados a recursos de outras atividades antes de retornarem à organização, dificultando o rastreamento financeiro. Uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau (SP), no interior, era usada para movimentar os recursos ilícitos.
A polícia identificou diversas transferências e depósitos bancários, mas ainda não descobriu o montante exato que saiu dessa empresa para as contas da advogada. A influenciadora teve R$ 27 milhões bloqueados por determinação da Justiça.
“Entendemos ao longo da investigação que a Deolane, até pelo poder econômico que ela adquiriu ao longo do tempo e pela influência, funcione como uma espécie de caixa do crime organizado”, afirmou o delegado Edmar Caparroz, do 2º Distrito Policial de Presidente Venceslau. A transportadora controlada pelo PCC tinha sede próxima a um complexo penitenciário no município e movimentou R$ 20 milhões.
O fluxo complexo de movimentações financeiras envolvia várias contas de Pessoa Física (PF) e Pessoa Jurídica (PJ) – apontado como a segunda etapa do esquema de lavagem de dinheiro, chamada de dissimulação, que tem como objetivo afastar os valores de sua origem ilícita, dificultando seu rastreamento.
Quem é Deolane, influencer e advogada presa por suspeita de elo com o PCC
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que a operação realizada pela Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Presidente Venceslau (SP), na manhã desta quinta-feira (21), buscou a “asfixia financeira” do PCC. O comentário foi feito durante agenda em Bauru (SP).
A influenciadora foi presa na casa dela em Alphaville, em Barueri. Também havia um mandado de prisão contra Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado o chefe do PCC e que já cumpre pena em unidade federal, além de parentes dele. Outro alvo detido na Operação Vérnix foi Everton de Souza, vulgo “Player”, indicado como operador financeiro da organização. Dois sobrinhos de Marcola estão foragidos.
Deolane Bezerra foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no oeste paulista — Foto: Reprodução/Delolane Bezerra/Instagram – Divulgação/SAP
Deolane Bezerra foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no oeste paulista — Foto: Reprodução/Delolane Bezerra/Instagram – Divulgação/SAP
O que diz a defesa
A defesa técnica de Deolane Bezerra Santos ressaltou a “absoluta inocência” da influenciadora e informou que os fatos serão devidamente esclarecidos em momento oportuno.
“Por ora e com o devido acatamento, consideramos desproporcionais as medidas firmadas em face de Deolane e esta banca de defesa seguirá cooperando tecnicamente com a Justiça para demonstrar a licitude de suas atividades na condição de advogada que é, confiando plenamente no discernimento, na razoabilidade e na imparcialidade do Poder Judiciário”, diz a nota.
O advogado Bruno Ferullo, que defende Marcola, afirmou que ainda vai se inteirar do caso. A defesa dos demais envolvidos não foi localizada pela reportagem.
Infográfico mostra onde fica presídio para onde Deolane Bezerra foi levada — Foto: Arte/g1
Infográfico mostra onde fica presídio para onde Deolane Bezerra foi levada — Foto: Arte/g1
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