Operação foca em chineses vinculados ao PCC que lavavam dinheiro através de produtos eletrônicos.

Por Patrícia Marques, TV Globo e g1 SP — São Paulo


Operação mira grupo chinês ligado ao PCC acusada de lavagem na venda de eletrônicos

Operação mira grupo chinês ligado ao PCC acusada de lavagem na venda de eletrônicos

Uma operação conjunta da Polícia Civil, Ministério Público (MP) e Secretaria de Estado da Fazenda e Planejamento de São Paulo foi realizada nesta quinta-feira (12) contra uma organização criminosa chinesa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) por suspeita de lavar dinheiro e ocultar bens com a venda de produtos eletrônicos.

A ação ocorreu nos estados de São Paulo e de Santa Catarina, segundo autoridades que coordenam a Operação Dark Trader.

A Justiça paulista autorizou o cumprimento de três mandados de prisão e 20 de busca e apreensão. Um membro da facção criminosa PCC e uma mulher, que trabalha no grupo Knup Brasil, foram presos. Um chinês, dono da empresa, está na China e não foi detido. Seus nomes não foram divulgados. Foram apreendidos ainda quatro carros de luxo.

Segundo a investigação, o Knup e o PCC usaram quatro outras empresas de fachada para sonegar mais de R$ 1 bilhão em sete meses. O objetivo da quadrilha com a lavagem de dinheiro era o de sonegar impostos e driblar órgãos de controle.

Tanto o organização chinesa quanto a facção criminosa PCC ganhavam dinheiro com esse esquema ilegal. O principal alvo da operação foi o Knup, empresa chinesa que atua há 20 anos no Brasil com equipamentos, como computadores, sons, relógios etc.

De acordo com a investigação, o Knup usava a sua plataforma digital de comércio online para comercializar os produtos eletrônicos, mas ao invés de o dinheiro da venda ir para o grupo, seguia para contas de empresas de fachada, duas delas ligadas diretamente ao PCC.

O esquema também envolvia a emissão de notas fiscais frias, com valores menores, por outro grupo de empresas de fachada. A TV Globo tenta contato com a Knup para comentar o assunto.

Operação Dark Trader

Operação em SP mira organização chinesa ligada ao PCC acusada de lavagem na venda de eletrônicos — Foto: Reprodução/TV Globo

Operação em SP mira organização chinesa ligada ao PCC acusada de lavagem na venda de eletrônicos — Foto: Reprodução/TV Globo

A Operação Dark Trader, contou com mais de 140 agentes das forças de segurança e de fiscalização do estado de São Paulo.

Policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) prenderam um membro do PCC que já tinha passagens criminais anteriores por tráfico de drogas, roubo e receptação.

Segundo a investigação, o Knup usava membros de facções criminosas como sócios de fachada e beneficiários de imóveis de alto valor com o objetivo de blindar o seu patrimônio.

“Um criminoso faccionado foi preso nesse contexto de utilizar essa estrutura criminosa chinesa, vamos pôr assim dizer, para lavar dinheiro. Então logo é possível a gente concluir que o PCC como estrutura criminosa também seja utilizando esse esquema de lavagem do que a gente identificou hoje”, disse o delegado Ronaldo Sayeg, diretor do Deic, em entrevista à TV Globo.

“Nós vamos tentar jogar essa rede mais longe e olhar para mais distante para ver se isso é uma coisa de uma pessoa que está presa ou se é uma estrutura ajudando outra estrutura criminosa”, falou Sayeg.

De acordo com a força-tarefa, a funcionária e o dono da Knup participavam do envio de vultosos valores às empresas fictícias, coordenando a emissão de notas fiscais frias e a redistribuição do dinheiro.

Contadores ligados ao grupo operaram para formalizar os documentos e fragmentar os valores.

Carros de luxo apreendidos

Carros de luxo apreendidos na operação que envolve organização chinesa e PCC — Foto: Divulgação/Polícia Civil de SP

Carros de luxo apreendidos na operação que envolve organização chinesa e PCC — Foto: Divulgação/Polícia Civil de SP

Ao todo, 18 pessoas e 14 empresas são investigadas. Durante o cumprimento dos mandados, a policia apreendeu computadores, equipamentos eletrônicos e quatro carros de luxo.

A Justiça também bloqueou 36 contas bancárias atribuídas à organização, com valores equivalentes a R$ 1 bilhão. Promotores do Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (GAEPP) do MP de São Paulo conseguiram o sequestro judicial desse valor do grupo criminoso.

Também foram sequestrados judicialmente R$ 25 milhões em imóveis de luxo, automóveis de alto padrão, dezenas de contas bancárias em nome de laranjas e diversas aplicações financeiras.

Segundo as autoridades, a organização criminosa utilizava engenharia financeira complexa para desviar e pulverizar recursos, dificultando o rastreamento. Em resumo, o esquema funcionava da seguinte maneira:

  • As vendas eram realizadas por uma empresa principal do grupo;
  • Os pagamentos eram redirecionados para empresas de fachada;
  • Notas fiscais frias eram emitidas por terceiros;
  • As contas funcionavam como “contas-balde”, destinadas a concentrar valores;
  • Posteriormente, os recursos eram pulverizados em contas de terceiros e “laranjas”.

Agentes da força-tarefa participam de operação contra lavagem de dinheiro — Foto: Divulgação/Polícia Civil de SP

Agentes da força-tarefa participam de operação contra lavagem de dinheiro — Foto: Divulgação/Polícia Civil de SP



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