Nunes Marques solicita investigação de ministro do STJ acusado de assédio sexual.

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Por Márcio Falcão, TV Globo — Brasília


  • O ministro Nunes Marques, do STF, determinou a abertura de inquérito para apurar a conduta do ministro Marco Buzzi, do STJ, suspeito de assediar uma jovem de 18 anos.

  • Buzzi será investigado por suposta importunação sexual. O episódio teria ocorrido no início do ano em SC, onde a jovem passava férias com a família na casa do magistrado.

  • A defesa do magistrado tem dito, em manifestações enviadas à imprensa, que Buzzi ‘não cometeu qualquer ato impróprio ao longo de sua trajetória’.

  • A abertura de inquérito representa o início formal de uma fase de apuração para verificar a existência de um crime e a respectiva autoria.

  • A jovem registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil de São Paulo. O caso, então, foi enviado ao STF porque Buzzi, enquanto ministro do STJ, tem foro privilegiado.

O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de um inquérito para investigar a conduta do ministro Marco Buzzi, que está afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), suspeito de assediar sexualmente uma jovem de 18 anos.

Buzzi será investigado por suposta importunação sexual. O episódio teria ocorrido no início do ano em Balneário Camboriú (SC), onde a jovem passava férias com a família na casa do magistrado. O ministro do STJ nega as acusações.

A defesa do magistrado tem dito, em manifestações enviadas à imprensa, que Buzzi “não cometeu qualquer ato impróprio ao longo de sua trajetória”. E que as alegações apresentadas contra o ministro “carecem de provas concretas” (leia a íntegra aqui).

🔎A abertura de inquérito representa o início formal de uma fase de apuração para verificar a existência de um crime e a respectiva autoria. Esse procedimento é autorizado quando há indícios mínimos de irregularidades, servindo como uma ferramenta essencial para que se possa verificar a veracidade das suspeitas levantadas. A abertura da apuração não constitui uma condenação antecipada e não confirma a prática de atos ilícitos.

A jovem registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil de São Paulo. O caso, então, foi enviado ao STF porque Buzzi, enquanto ministro do STJ, tem foro especial por prerrogativa de função – o chamado foro privilegiado.

Veja os vídeos que estão em alta no g1

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“Há elementos suficientes para instauração do inquérito”, afirmou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, em documento enviado no dia 31 de março ao ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.

Em fevereiro, por unanimidade, o STJ decidiu afastar Buzzi do cargo enquanto durar a apuração. O ministro está, inclusive, impedido de entrar nas dependências do tribunal.

O pleno do STJ deve se reunir nesta terça-feira (14) para avaliar a conclusão de uma sindicância aberta para avaliar a situação de Buzzi por conta das denúncias.

Há expectativa no STJ de que a sindicância deve recomendar a abertura de um processo administrativo contra o ministro. Uma eventual punição pode chegar a aposentadoria compulsória.

Os casos teriam ocorrido de forma reiterada a partir de 2023. O ministro também nega que esses episódios tenham ocorrido.

O inquérito aberto por Nunes Marques no STF também deve apurar os relatos dessa ex-assessora do ministro. Ela denunciou os supostos episódios de assédio ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O CNJ, por sua vez, compartilhou provas com o STF.

Ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça — Foto: José Alberto/STJ

Ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça — Foto: José Alberto/STJ

Nota

Leia a íntegra da nota da defesa do ministro Marco Buzzi:

A defesa do ministro Marco Buzzi repudia a campanha sistemática de acusações veiculadas na imprensa, marcada por vazamentos seletivos, distorções e ausência deliberada do direito básico de defesa.

Os reveses jurídicos pontuais desta fase inicial não alteram a realidade dos fatos: o ministro não cometeu qualquer ato impróprio ao longo de sua trajetória. As alegações apresentadas até o momento carecem de provas concretas.

Chama atenção que parte dessas narrativas tenha origem em advogada com interesses diretos em processos e decisões no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o que agrava ainda mais a necessidade de cautela e responsabilidade na divulgação dessas informações.

É inaceitável que, sob o pretexto de uma causa relevante, se promova um verdadeiro linchamento moral, baseado em ilações, contra um magistrado com mais de quatro décadas de atuação irrepreensível e sem qualquer mácula em sua trajetória.

Maria Fernanda Ávila
Paulo Emílio Catta Preta



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