BRB já estava ciente de que a carteira de empréstimos consignados do Master continha créditos problemáticos.

Banco Central manda BRB reservar R$ 3 bilhões para manter operações

Por Vinícius Cassela, Caetano Tonet, Marcelo Parreira, g1 — Brasília


Um documento interno produzido pelo Banco Regional de Brasília (BRB), aponta que à época do anúncio de compra do Banco Master, a equipe técnica já sabia que parte das carteiras de crédito consignado oferecidas por Daniel Vorcaro não tinha lastro, ou seja, eram podres.

🔎Lastro é o nome que se dá a algo que funciona como garantia de alguma coisa. No caso de operações de consignado, é a existência de um documento apontando que o desconto está sendo autorizado a ser feito diretamente do contracheque de uma pessoa.

O g1 procurou o BRB e aguarda manifestação da instituição financeira.

O documento foi elaborado por um grupo de trabalho criado pelo próprio BRB para análise do processo de compra de operações de crédito que o banco fazia no mercado, entre eles, também com o Banco Master.

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Ao todo, foram criados dois documentos, um de abril e outro de maio. O g1 teve acesso a ambos.

A análise considerou 1,9 milhão de contratos que tinham sido adquiridos, de 615 mil clientes diferentes. Assim, em média, cada cliente deveria ter três contratos de empréstimo com o Banco Master.

Sem ‘averbação’

Em uma das reuniões realizadas entre os dois bancos, em abril de 2025, a equipe do BRB indicou que algumas das operações cedidas não tinham a averbação verificável.

“Foi informado pelo Banco Master que existem operações cedidas ao Banco BRB que foram adquiridas por uma ‘Associação’, e que tais contratos não são passíveis de verificação da averbação por meio de consulta assistida”, afirma o documento.

Prédio do Banco Regional de Brasília — Foto: Reprodução/TV Globo

Prédio do Banco Regional de Brasília — Foto: Reprodução/TV Globo

Isso significa que apesar de ser um contrato de desconto consignado, direto no contracheque, a contrapartida neste caso, um órgão público, não tinha o registro das operações. Ou seja, eram contratos que não tinham o reconhecimento para terem o desconto efetuado.

Além disso, o grupo de trabalho ainda aponta que o Banco Master mantinha o controle de todas as operações de crédito em planilhas eletrônicas, com limitação de dados e sem padronização, o que dificultava a análise de cada uma das operações vendidas.

Outras inconsistências identificadas pelo banco à época incluiam inconsistência no cálculo do valor a receber do Master pelo BRB e parcelas vencidas sem atualização de juros e multa.



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