Segurança preso pelo linchamento de Cláudio Rafael foi depor pedalando a bicicleta da vítima
O segurança de rua Davi Santos Machado, de 21 anos prestou depoimento na última segunda-feira (17) como testemunha e negou ter participado das agressões. No dia seguinte, voltou à delegacia e confessou o crime.
Por Felipe Freire, TV Globo
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Um segurança preso por espancar Cláudio Rafael Landeiro até a morte prestou depoimento na delegacia após chegar pedalando a bicicleta da própria vítima.
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O crime ocorreu em 11 de agosto. Cláudio foi abordado pelo segurança por estar com a bicicleta da irmã e acabou acusado de roubo.
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O segurança Davi Santos Machado prestou depoimento nesta segunda-feira (17) como testemunha. Ele negou participação, mas confessou as agressões no dia seguinte.
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O agressor declarou que não havia provas de furto da bicicleta. A polícia busca agora um 5º suspeito de envolvimento no espancamento.
Segurança preso pelo espancamento de Cláudio Rafael chegou à DP para depor pedalando bicicleta da vítima — Foto: Reprodução
Segurança preso pelo espancamento de Cláudio Rafael chegou à DP para depor pedalando bicicleta da vítima — Foto: Reprodução
Um dos quatro presos por envolvimento com a morte de Cláudio Rafael Landeiro foi prestar depoimento com a bicicleta usada pela vítima no dia do linchamento. Cláudio Rafael foi espancado até a morte após ser acusado de ser ladrão de bicicletas – o veículo, entretanto, pertencia à irmã dele.
O segurança de rua Davi Santos Machado, de 21 anos, prestou depoimento na última segunda-feira (17) como testemunha e negou ter participado das agressões. No dia seguinte, voltou à delegacia e confessou o crime.
Ele compareceu à 12ª DP (Copacabana) com a bicicleta usada por Rafael – como a vítima era chamada pela família.
O veículo tinha sido levado na noite do crime por outro segurança, Jorge Luiz Ricardo Dias, como mostram imagens analisadas pela polícia e obtidas pela TV Globo. Eles disseram pensar que estavam recuperando uma bicicleta roubada – o que se mostrou ter sido um engano.
Segundo depoimentos, Rafael chegou a uma loja em Copacabana por volta das 23h20 do dia 11 de agosto para pedir um cigarro. Como não tinha dinheiro, não recebeu o produto. Minutos depois, o segurança Davi chegou e perguntou sobre a bicicleta que estava ao lado de Rafael, que respondeu apenas que “não” – pelo fato de a bicicleta pertencer à sua irmã.
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De acordo com uma testemunha, Davi pegou a bicicleta e pediu que ele a guardasse. Ele afirma que colocou o veículo junto a galões de água e o prendeu com um cadeado. Davi fotografou a bicicleta e saiu.
Depois, voltou dizendo que havia encontrado o proprietário, retirou o cadeado e levou a bicicleta, seguido por Rafael. O funcionário permaneceu trabalhando na loja.
Pouco depois, um cliente avisou que dois homens estavam agredindo alguém com pedaços de madeira. A testemunha foi até a frente da loja e viu Davi e outro segurança dando pauladas em Rafael, na rua e na calçada.
A testemunha afirmou ainda que o outro segurança pegou a bicicleta com Davi e deixou o local, enquanto Rafael seguia em direção ao homem que estava com o veículo.
‘Ato insano’
Davi prestou depoimento cinco dias depois do crime, inicialmente na condição de testemunha. Segundo a polícia, ele mentiu e afirmou que não tinha visto nem participado das agressões.
No dia seguinte, porém, voltou à delegacia e confessou ter agredido Rafael. No depoimento, Davi afirmou que ele e os dois entregadores passaram a dar socos e pontapés na vítima. Disse também que usou um cacetete para golpeá-la.
Segundo o relato, em um “ato insano”, ele deu vários golpes na cabeça de Rafeal e afirmou não saber explicar o que o levou a agir daquela forma.
Davi também declarou que não havia qualquer informação concreta de que a bicicleta tivesse sido furtada.
Ainda segundo o depoimento, Rafael não ofereceu resistência e obedeceu às ordens dos homens. Davi afirmou que não ouviu a vítima pedir socorro.
Relembre o caso
Rafael saiu de casa para passear de bicicleta na noite de 11 de agosto. Segundo a família, ele tinha transtornos mentais e falava pouco.
Na Rua Barata Ribeiro, ele foi abordado pelo segurança de rua Davi Santos Machado, que perguntou se a bicicleta era dele. Cláudio Rafael respondeu que não — a bicicleta, de fato, era da irmã.
Segundo a investigação, Davi passou a suspeitar que Rafael tivesse furtado a bicicleta e chamou dois entregadores que passavam pelo local.
Imagens mostram que o outro segurança, Jorge Luiz Ricardo Dias, retirou a bicicleta de Cláudio à força. A vítima tentou recuperar o objeto, foi agredida e correu.
Cláudio se sentou em frente a um prédio, na Rua Felipe Oliveira, onde voltou a ser cercado pelos homens. Os dois entregadores se juntaram a Davi e começaram a agredi-lo.
As agressões duraram quase nove minutos e foram registradas em vídeo pelos próprios envolvidos. Cláudio não reagiu.
Depois, ele ficou agonizando por cerca de meia hora na calçada. Bombeiros foram chamados e levaram Cláudio para o hospital, mas ele não resistiu.
Cláudio Rafael, filmado por entregadores — Foto: Reprodução
Cláudio Rafael, filmado por entregadores — Foto: Reprodução
Quem são os envolvidos?
- Davi Santos Machado, de 21 anos: segurança de rua. Ele aparece nas imagens agredindo Cláudio com um cacetete e dando diversos golpes na cabeça da vítima. Segundo a polícia, inicialmente prestou depoimento como testemunha e negou ter participado das agressões. No dia seguinte, voltou à delegacia e confessou o crime.
- Jorge Luiz Ricardo Dias: outro segurança de rua envolvido no caso. Ele aparece em imagens carregando um pedaço de madeira e levando a bicicleta de Cláudio.
- Felipe Eduardo dos Santos Silva, de 23 anos: entregador. Ele aparece nas imagens participando das agressões. Felipe se entregou à polícia na tarde desta quinta-feira (21).
- Ailton José da Silva: também entregador. Ele aparece nas imagens espancando Cláudio.
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Davi Santos Machado é preso — Foto: Divulgação
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