CNJ afasta juiz que bebeu e fumou em julgamento
O magistrado fica impedido de desempenhar suas funções até deliberação final da Corregedoria Nacional de Justiça. Em vídeo, Milton Lívio Lemos Salles disse que está sendo vítima de difamação.
Juiz Milton Lívio Lemos Salles, que apareceu em sessão do TJMG bebendo vinho e fumando, gravou vídeo após repercussão de caso — Foto: Reprodução/Redes sociais
Juiz Milton Lívio Lemos Salles, que apareceu em sessão do TJMG bebendo vinho e fumando, gravou vídeo após repercussão de caso — Foto: Reprodução/Redes sociais
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afastou o juiz Milton Lívio Lemos Salles, flagrado bebendo vinho e fumando durante uma sessão virtual de julgamento. O magistrado fica impedido de desempenhar suas funções até deliberação final da Corregedoria Nacional de Justiça.
“Durante o período de afastamento, fica o magistrado Milton Lívio Lemos Salles proibido de frequentar quaisquer ambientes e dependências do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, de primeiro e de segundo graus, incluídas as áreas do Núcleo de Justiça 4.0 e as demais áreas judiciais e administrativas correlatas, bem como de acessar a totalidade dos sistemas do Tribunal, de primeiro e de segundo graus, de ordem judicial ou administrativa”, diz despacho do CNJ.
Milton Lívio Lemos Salles é juiz de direito auxiliar em uma unidade da segunda instância do Tribunal de Justiça de Minas Gerais voltada a processos na área de direito de família.
O magistrado foi flagrado “virando” uma garrafa de vinho, fumando e usando bermuda durante um julgamento virtual na segunda-feira (10). Assim que o consumo da bebida alcoólica foi percebido pelos participantes, a sessão foi suspensa.
” A conduta registrada — consumo de bebida alcoólica diretamente da garrafa e o ato de fumar durante a sessão de julgamento, à vista de todos — evidencia estado manifestamente incompatível com a serenidade, a lucidez e o equilíbrio que a função de julgar impõe, projetando fundada dúvida sobre a higidez das condições em que o magistrado vem exercendo suas atribuições. Não se pode admitir que decisões que afetam direitos e a liberdade dos jurisdicionados sejam proferidas por magistrado que, em ato público de julgamento, revela-se ostensivamente privado do domínio de si e das faculdades exigidas para o desempenho do encargo”, acrescenta o texto.
Após a repercussão das imagens, Milton Lívio gravou um vídeo dizendo que está sendo vítima de difamação. O conteúdo circulou pelas redes sociais e entre colegas do magistrado.
Na gravação, o juiz também fez ofensas ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao ministro Alexandre de Moraes e a desembargadores mineiros, além de fazer acusações de corrupção de corrupção sem apresentar provas.
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