Lula terá foto com chapéu na urna eletrônica em 2026
Presidente usa acessório como proteção após retirar uma lesão de câncer de pele no couro cabeludo. Até a última eleição presidencial, candidatos não podiam usar chapéus ou bonés, o que foi liberado em pedido de um postulante a deputado.
Por Arthur Stabile, Isabella Calzolari, g1
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O presidente Lula (PT) usará um chapéu em sua foto da urna eletrônica pela primeira vez. A medida foi permitida em 2022 após um questionamento na lei eleitoral.
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Lula adota o acessório desde maio deste ano para proteger o couro cabeludo. Ele passou pela retirada de uma lesão de câncer de pele na região.
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O modelo escolhido é um chapéu Panamá, feito com fibras de palha toquilla. O item surgiu no Equador e já foi usado por Getúlio Vargas.
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Uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2022 autorizou um candidato a deputado federal usar boné em sua imagem na urna. A corte considerou o adorno um elemento de característica sociocultural. Antes, uso era proibido.
Presidente Lula usará foto com chapéu na urna eletrônica em 2026 — Foto: Ricardo Stuckert
Presidente Lula usará foto com chapéu na urna eletrônica em 2026 — Foto: Ricardo Stuckert
O presidente Lula (PT) usará um chapéu em sua foto na urna eletrônica na disputa pela presidência neste ano. É a primeira vez que Lula terá um acessório desde o início de suas participações em disputas presidenciais depois da redemocratização, em 1989.
Nenhum candidato pode usar acessórios na cabeça, segundo a lei eleitoral, mas, em 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avaliou um pedido feito por candidato a deputado federal e liberou o uso (entenda abaixo).
Desde maio deste ano, o presidente tem utilizado um chapéu por conta da retirada de uma lesão de câncer de pele no couro cabeludo. O chapéu funciona como uma proteção à região após o processo de cicatrização.
Veja as fotos de Lula na urna desde 2006:
Fotos de Lula nas eleições presidenciais de 2006, 2022 e 2026 — Foto: Reprodução/TSE
Fotos de Lula nas eleições presidenciais de 2006, 2022 e 2026 — Foto: Reprodução/TSE
A recomendação dos médicos foi adotada por Lula também durante a campanha eleitoral. Antes, ele usou o acessório em eventos públicos, como agendas presidenciais e o lançamento de sua chapa presidencial, no início de agosto, em São Paulo.
Entre integrantes da campanha de Lula, a avaliação é de que o adereço virou uma marca do presidente nos últimos meses e que tirar a foto da urna com o chapéu não seria nada “anormal”.
Internamente, o uso do chapéu por Lula passou a ser visto como algo comum da rotina do presidente após o procedimento cirúrgico. Em eventos públicos, o petista tira o acessório para mostrar o local na cabeça que realizou a radioterapia.
Outros candidatos à Presidência também tiveram definidas suas fotos na urna eletrônica, que podem ser comparadas às imagens da eleição anterior. São os casos de Romeu Zema, que concorreu a reeleição ao governo de Minas Gerais em 2022; e de Hertz Dias, que disputou o governo do Maranhão na última eleição geral. Veja abaixo:
Fotos de Zema e Hertz na urna eletrônica em 2022 e 2026 — Foto: Reprodução/TSE
Fotos de Zema e Hertz na urna eletrônica em 2022 e 2026 — Foto: Reprodução/TSE
O modelo escolhido pelo presidente é um chapéu Panamá da marca Sarquis by ABA. O item surgiu com os povos originários do Equador e sua fabricação é com base nas fibras da palha toquilla, tradicional na região.
Além de Lula, o ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) costuma usar o chapéu Panamá em alguns eventos, como o Carnaval. Outras figuras famosas brasileiras a usá-lo foram o ex-presidente Getúlio Vargas, o aeronauta Santos Dumont e o cantor Tom Jobim.
Ministro do TSE liberou acessório em 2022
Até 2022, era proibido aos candidatos usar acessórios na cabeça, como chapéus e bonés. Segundo a legislação eleitoral, não era permitida a utilização de elementos cênicos e adornos “com conotação de propaganda eleitoral e que induzam ou dificultem o reconhecimento do candidato pelo eleitorado”.
Naquele ano, porém, um ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisou um pedido feito pelo candidato a deputado federal por São Paulo Douglas Belchior (PT) por ter sido impedido de usar um boné na imagem da urna pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
À época, o ministro Sérgio Banhos, do TSE, autorizou o uso por parte do político ao argumentar que o boné faz parte de uma característica sociocultural do candidato, por isso, deveria ser permitido o uso.
O ministro afirmou em sua decisão que “a utilização do acessório pelo candidato, que tem origem afrodescendente e é engajado na cultura rapper, está diretamente ligada à sua própria imagem perante o eleitorado, o que, em princípio, pode ser considerado elemento étnico e cultural, que se enquadra no permissivo legal”.
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